
Os créditos de carbono e os de biodiversidade surgem como ferramentas importantes no enfrentamento das crises climática e ambiental. Mas possuem finalidades e características distintas.
Mais consolidados, os créditos de carbono servem para compensar emissões de gases do efeito estufa, sendo cada unidade equivalente à redução de uma tonelada de dióxido de carbono ou gases correlatos.
Já os créditos de biodiversidade têm como objetivo financiar projetos para a preservação da natureza. Por exemplo: proteção de habitats, recuperação de ecossistemas, assim como reintrodução de espécies em risco.
Diferentemente dos créditos de carbono, com a missão de compensar as emissões, os de biodiversidade não seguem, por enquanto, uma unidade padronizada de medida.
Empresas interessadas podem adquiri-los como uma maneira de demonstrar compromisso com práticas ambientais positivas, podendo, inclusive, comercializar produtos com certificações “amigas da biodiversidade”.
Na Irlanda, um projeto arrecadou 2 milhões de euros após o plantio de 600 mil árvores nativas. Na Austrália, a melhoria da qualidade da água da Grande Barreira de Corais atraiu compradores.
O Paraná é o primeiro estado brasileiro a estabelecer uma política de crédito de biodiversidade. Donos de unidades de conservação privadas poderão vender créditos para empresas que precisem de um selo ambiental.
“Não existe obrigação oficial (das empresas), mas a avaliação é feita anualmente pelas certificadoras do mercado; então entra quem tem interesse em demonstrar uma prática ambiental”, afirmou o diretor de Políticas Ambientais da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Andreguetto, em entrevista ao Estadão.
Desafios
Um dos principais desafios é a falta de padronização. Cada projeto adota parâmetros diferentes para medir os benefícios ambientais, dificultando a avaliação de impacto e gerando questionamentos sobre a eficácia dessas iniciativas.
Há risco de empresas compensarem danos ambientais em um local enquanto continuam causando degradação em outro, o que pode levar décadas para ser equilibrado.