
O ingresso na universidade marca uma transição significativa na vida de muitos jovens. Afinal, é um período de descobertas, amadurecimento, assim como independência. Mas também pode ser desafiador para os pais.
A comunicação, nesse contexto, assume um papel importante para fortalecer os laços familiares e evitar conflitos. Entretanto, segundo um estudo da Universidade Estadual de Washington (WSU, sigla para Washington State University), nos EUA, esse diálogo deve partir dos filhos.
Autonomia na universidade
Para os estudantes, o início da vida universitária representa a busca por autonomia. Muitos se mudam para outras cidades, enfrentam novas responsabilidades e são expostos a experiências até então desconhecidas.
Esse afastamento físico e emocional pode gerar preocupações por parte dos pais, que muitas vezes têm dificuldades em lidar com a ausência diária e a mudança no vínculo com seus filhos.
No entanto, a comunicação eficaz pode transformar esse momento de transição em uma oportunidade de crescimento conjunto. Quando os filhos compartilham suas vivências acadêmicas, conquistas e desafios, os pais sentem-se mais conectados à nova realidade de seus filhos. Por outro lado, quando os pais demonstram interesse genuíno e oferecem apoio sem invadir a autonomia dos estudantes, eles fortalecem a confiança mútua.
O uso da tecnologia também desempenha um papel fundamental. Assim, ferramentas como vídeo chamadas, mensagens instantâneas e redes sociais permitem que pais e filhos mantenham um contato regular, mesmo à distância. Esses momentos de troca podem ser uma forma de tranquilizar a família e proporcionar um espaço seguro para desabafos ou conselhos.
É importante, contudo, que ambas as partes estabeleçam limites saudáveis para a comunicação. Pais devem evitar o excesso de controle e respeitar o espaço dos filhos, enquanto os estudantes podem ser proativos em manter o contato e demonstrar consideração pelos sentimentos dos pais.
Essa prática ajuda a reduzir tensões, promove o entendimento mútuo e cria uma base sólida para que ambos enfrentem juntos as mudanças e desafios dessa nova fase da vida.
Assim, a transição para a universidade deixa de ser um período de distanciamento e se torna uma oportunidade para aproximar ainda mais pais e filhos.
Comunicação constante
Os pesquisadores da WSU descobriram que a comunicação frequente por telefone, texto, vídeo ou pessoalmente faz com que os alunos do primeiro ano se sintam melhor sobre o relacionamento com seus pais. No entanto, os pais devem evitar iniciar quase toda a comunicação.
“Isso pode ser indicativo de pais excessivamente envolvidos”, disse a autora principal do artigo, Jennifer Duckworth, membro do corpo docente do departamento de Desenvolvimento Humano da universidade. “Pode ser uma linha tênue. Mas os alunos com os chamados ‘pais helicópteros’ podem ter uma visão mais negativa de seu relacionamento com esses pais.”
Também foi constatado no estudo que os dias com comunicação foram melhores para o relacionamento entre pais e filhos do que os dias sem diálogo.
“Nos dias em que eles se comunicavam e os alunos eram honestos com seus pais e os pais ofereciam apoio ou conselhos, os alunos relataram que se sentiam mais positivos no dia seguinte”, disse ela.