
Com a internet, os jogos online estão substituindo aos poucos os antigos jogos de carta ou de tabuleiro. Da mesma forma, atraem crianças e adultos. Mas, embora sejam uma importante atividade de lazer no mundo atual, podem conter armadilhas financeiras, especialmente se forem jogos de aposta.
Isso é o que revela uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em conjunto com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Offerwise Pesquisas.
A pesquisa mostra que a quantia gasta pelos consumidores brasileiros em jogos de aposta online chega a beirar R$ 6 bilhões por mês. No último ano, cerca de 40 milhões de indivíduos fizeram algum tipo de aposta nesses jogos.
As apostas esportivas são as mais populares, seguidas por slots, roletas, caça-níqueis, assim como poker. A maioria dos apostadores joga de duas a três vezes por semana. A média de gastos no último mês foi de R$186, chegando a R$267 nas classes A/B. A maioria, 72% dos jogadores, paga as apostas com Pix e os 18% restantes pagam com cartão de crédito.
Jogos de apostas x orçamento familiar
A pesquisa destacou que muitos consumidores comprometem seus orçamentos familiares e enfrentam problemas financeiros e emocionais devido ao vício em jogos e apostas.
“O crescimento das apostas e jogos online liga um alerta em relação ao endividamento dos consumidores. Muitas pessoas têm perdido o controle do quanto gastam e isso impacta diretamente no orçamento familiar”, disse o presidente da CNDL, José César da Costa.
Segundo ele, o País passa por um momento de alta inadimplência, agravado com os jogos de aposta. ”Vício em jogos é uma doença que deve ser acompanhada e tratada com muita atenção devido às consequências negativas, ficar endividado ou comprometer a saúde mental”, alertou Costa.
Os gastos com jogos e apostas online são significativos. A pesquisa aponta que o dinheiro destinado para pagar uma conta é desviado por 15% dos jogadores para as apostas online. E mais: muitos deles, cerca de 18%, já foram negativados por isso. Também, 25% dos apostadores online admitem que gastam mais do que podem.
Além disso, muitos apostadores, cerca de 46%, abrem mão do consumo de bens como vestuário, internet, passeio com a família e alimentação fora de casa ou por delivery, para ter recursos para apostar.
A diferença nos gastos médios entre as classes A/B e outras classes sociais indica que o impacto das apostas pode variar significativamente dependendo da renda e do poder aquisitivo dos indivíduos.
“O que para alguns começa como uma pequena brincadeira, ou uma oportunidade de resolver seus problemas financeiros ou até mesmo realizar sonhos de consumo, pode se tornar um grande problema que impacta não só no bolso do consumidor, mas no desenvolvimento social e econômico do país”, afirmou Costa.
Caso apresente algum sintoma de vício em jogos, procure ajuda.