
Pesquisadores brasileiros e portugueses identificaram uma possível ligação entre baixos níveis de cobalto no sangue e obesidade em mulheres. Parte da vitamina B12, ele pode ser encontrado em carnes, vegetais, assim como chocolates. A deficiência desse nutriente pode ocorrer em função da má qualidade da alimentação ou alterações metabólicas.
O estudo, publicado na revista científica Obesities, analisou dados de 33 brasileiras e observou que mulheres com obesidade apresentavam concentrações significativamente menores desse mineral, essencial para o funcionamento do metabolismo. A pesquisa também identificou mudanças na metilação do DNA, um processo epigenético que regula a atividade dos genes sem alterar a sequência genética.
Cobalto em mulheres brasileiras
“O cobalto pode influenciar processos metabólicos, uma vez que uma alimentação pobre em alimentos de origem animal, como carne, leite e ovos, pode acarretar redução do metal no organismo, afetando o metabolismo e possivelmente contribuindo para o ganho de peso e outros problemas de saúde”, afirmou Natália Yumi Noronha, doutoranda no Departamento de Clínica Médica da FMRP, em entrevista ao Jornal da USP.
Essas alterações foram mais frequentes nas participantes com obesidade, sugerindo que o cobalto pode influenciar a expressão genética ligada ao metabolismo e ao desenvolvimento de doenças como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares.
A professora Carla Barbosa Nonino, coordenadora do estudo, reforça que a epigenética é uma chave para entender como fatores ambientais e alimentares afetam a saúde. Ela acredita que padrões alimentares podem influenciar diretamente a atividade dos genes.
O estudo destaca ainda a necessidade de olhar para a qualidade da dieta, e não apenas para a quantidade de calorias consumidas. A equipe pretende ampliar a pesquisa, incluindo mais participantes e estudando a influência da ancestralidade, especialmente em uma população miscigenada como a brasileira.
O trabalho teve apoio da Fapesp e colaboração de instituições como a Famerp e a Universidade de Lisboa. Os pesquisadores agora buscam compreender melhor como o ambiente e a alimentação afetam o organismo e podem influenciar até futuras gerações.