
Uma pesquisa da nutricionista Denise Rossi, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, resultou em um queijo cremoso com potencial probiótico. Ou seja: benéfico para o sistema gastrointestinal. Mas, para conseguir esse resultado, ela incluiu à composição o kefir, um alimento fermentado com leveduras e bactérias.
O processo de produção da pesquisadora começou com a fermentação do leite pasteurizado por cerca de 30 horas após a adição do kefir. Em seguida, as partes sólida e líquida foram separadas, com o sólido se transformando no queijo. Para aumentar a cremosidade, parte do produto recebeu nata como complemento.
Análises mostraram que o queijo possui ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), conhecidos por suas propriedades anti-inflamatórias e protetoras da mucosa intestinal. Esses compostos, geralmente produzidos pelas bactérias do intestino, surgem diretamente no queijo durante a fermentação.
O produto também apresenta bactérias láticas, caracterizando-o como um potencial probiótico. Além disso, é rico em ômega-3 e ômega-9, que contribuem para a saúde cardiovascular.
“Hoje não encontramos um queijo cremoso probiótico no mercado. Esse é um produto inovador para quem busca um estilo de vida saudável”, afirmaram Denise e a professora Mônica Mazalli, orientadora da pesquisa, ao Jornal da USP.
A fermentação também reduz o teor de lactose do produto. Assim, o produto é mais acessível a pessoas com intolerância leve. O queijo sem nata apresenta 2,9% de lactose, enquanto o integral tem 5,2%. Apesar da redução, ele não é indicado para intolerantes severos.
Testes sensoriais revelaram alta aceitação: mais de 60% dos participantes afirmaram que comprariam o produto. As pesquisadoras pretendem patentear a inovação. “É algo que os pacientes podem fazer em casa, promovendo saúde de forma simples”, disse Denise.